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Cotidiano nº3




Cotidiano nº3

Nos idos de setenta e poucos, um ano após voltar de um recomendado auto-exílio na Itália, Chico Buarque gravou o LP “Construção”. Para muitos críticos, aos quais me alinho, “Construção” é o principal disco da obra de Chico e o que apresenta definitivamente sua complexidade estética e genialidade. Nascia ali aquele que se constitui hoje no maior gênio vivo da cultura brasileira.

No LP Construção, a faixa 4 do lado A (isso mesmo, os discos tinham lado A e lado B) é “Cotidiano”, música que relata a rotina de um casal, explorando a resistência do marido em suportar o dia-a-dia e os conflitos vividos com a mulher que em casa “todo dia faz tudo sempre igual”, embora, algumas vezes, “… beije com a boca de hortelã” e em outras “… morda com a boca de pavor”.

Várias regravações foram feitas, inclusive a recente e excelente do Seu Jorge, mas nenhuma superou a antológica gravação ao vivo de Chico com Caetano no teatro Castro Alves (Bahia) em 1972. Aos que não conhecem, recomendo “baixar” e ouvir.

Logo depois, ainda no início da década de 70, Chico foi homenageado por Vinicius de Moraes com o Cotidiano nº2, faixa 1, lado A, do LP “São demais os perigos desta vida”.

Em Cotidiano nº2 , os conflitos e pequenos prazeres do cotidiano doméstico assumem, na visão do “poetinha”, nova dimensão: o protagonista é o homem que “mistura poesia com cachaça…”, “chega a achar Herodes natural” e acha que “é tudo uma total insensatez…”.

O amparo e a solução vêm da arte e da música com o refrão: “Mas não tem nada não, tenho meu violão…”.

Pois é, quisera eu ter uma veia poética para escrever, em época de ciberespaço, mundo plano, cibercultura e tripla convergência, uma poesia com o título de Cotidiano nº 3.

Não sei bem como poderia ser retratado por um poeta o cotidiano de um casal “moderno”, mas diria que poderiam fazer parte das rotinas: acessar os e-mails pela manhã antes de escovar os dentes, curtir o Ipod, enviar fotos pelo celular, comprar no Amazon e acessar o homebanking ou o MSN.

Os dramas, em especial as separações, poderiam estar representados por scraps desaforados, e-mails arrebatadores, instabilidade do bluetooth e sites que desconfiguram no firefox.

Seriam candidatos aos prazeres: navegar no google earth, ouvir um audiobook, acessar a rede através de um access point no Parque da Redenção, receber uma mensagem apaixonada no celular e, logicamente, assistir ao novo DVD do Chico na TV de plasma.

Como o Vinicius não está mais conosco e o Chico só usa o computador para jogar memória, morro de medo que algum funkeiro ou rapper invente de fazer uma letra qualquer e coloque o título de “Cotidiano nº 3” .

Por favor, não dêem essa idéia ao Marcelo D2.

Cesar Paz




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